Levante os pés
pra mim limpar,
disse-me o dono do bar.
E sua vassoura tremulou.
Deixe meus restos,
lhe respondi.
Ainda os recolherei
juntando ao pouco que me restará.
Pouco tens
se o que te sobra
são apenas versos
ordinários como esse,
respondeu.
E a ti o que restas?,
retruquei.
Um sorriso largo
mais um tanto de audácia?
Ora, aqui, nem conversa,
alegou.
Só faço hora
até o fim da noite.
Em confronto falou,
chatos como tu
consomem
o pouco que ainda tenho.
Seu sorriso foi
enquanto a mesa se desfez.
A cena nada durou,
um breve instante se passou.
Quando caí
depois da oitava dose
foi um único tapa
que me despertou.
Vamos lá, bote pra fora,
ouvi aos berros.
Vomite suas asneiras!
Porra, a essa hora!
Me resta ainda o lixo que os poetas deixam.
Devia ter filhos
e mulher
e muitos chatos
como eu, para suportar,
pensei.
Levantei.
Agradeci.
Me desculpei.
E caí pela saída.
Aquele era um cara que sabia das coisas.
20 de abr. de 2009
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