13 de jul. de 2009

Modéstia pouca

“Envaidecida por perfeita forma,
encabulada em pensamentos tolos,
diante de mim contemplo o que acredito
ser o resumo do belo infinito.”

Sorri sincera à sua imagem pura
de jovem dama embebida em doçura,
com gestos leves desliza faceira
a áurea escova em loura cabeleira.

“Acho até graça ao ver que meu reflexo
calado geme como sinfonia,
então só faz o que a ele cabe
e admira plena poesia.”

Mesmo o espelho treme inseguro
ao contemplar tamanha ousadia,
de um dia há pouco a jovem menina
se transformou numa grande vadia.

Lá fora sangram pesadelos da noite,
ressoam gritos de clemência ao longe,
junto ao uivar das desgraças da rua
formam o culto da vaidade nua.

Só mesmo débeis ignoram ela,
não fazem caso ao ondular de tranças.
Irá beber da fonte da tristeza
aquele que não se render à beleza.

Nenhum comentário: