24 de mar. de 2010

Rotina

Acordo preso ao sonho que passou,
o mesmo sempre, o de encontrar amor;
às frases belas que tentei dizer
e, sem sucesso, me deixaram só.

Saio à rua, tento espairecer,
me pega então uma lufada fria.
A manhã jovem embala o passo lento
e os bem-te-vis compõem a melodia.

Tenho comigo como companhia
tantas palavras do grande poeta
que alguém um dia em sutil desacato
ousou chamá-lo apenas poetinha.

O dia brindo então com uma canção
que já tratou da dor de tantos outros
e agora surge por entre sorrisos
no balbuciar quase calado, rouco:

"O amor
é um carinho
é um espinho
que não se vê em cada flor"

Hora do almoço, sento pra comer.
A refeição já não me desce bem.
Quem sabe a causa do mal apetite
seja essa ideia de querer alguém.

Passa a tarde, observo quieto.
Tomo um litro de café amargo
e atrás do trago de cada cigarro
busco encontrar Aquela poesia.

É noite já, mas como passa rápido
quando desejos tornam-se rotina,
não vi o pôr-do-sol, não ouvi a campainha
nem li a bula do medicamento.

Julgam-me louco, deram-me remédios.
E demoraram a achar um diagnóstico,
mas disse ao médico: "Curo-me tão fácil,
preciso mesmo é de um pouco de ócio".

Saio à rua, já não quero nada,
sigo esperando com os fiéis amigos
as incertezas da mãe madrugada.

A noite brindo com o amor do dia
que como toda treva percorrida
pode sumir ao clarear do sol.

Um comentário:

Laina disse...

nao ouso filosofa sobre um poema, ate pq este deixou sem palavras...poa ta te fazendo bem neh...e quanto ao fato de que les o poetinha...o bom gosto e uma arte...