29 de mar. de 2011

Foi-se o tempo

Acomete-me a lembrança
da varanda verde
e as samambaias.

O dia de chuva e sol,
a luz amarelada
pelas velhas telhas transparentes
e a lajota fria
de vermelho sangue,
sem dor.

O ambiente na memória é quente
frente todo àquele verde
e pálido amarelo passado
do inverno que nunca mais houve.

Houve outras estações,
novas paisagens, risos, prantos,
sentimentos tantos, recordações;
mas o dia do qual lembro já se foi,
mora no instante interrompido
pela hora a vir e vir.

Cantarola na cozinha
uma tia que não tive;
a saia longa sacoleja
no compasso das ancas
e a mão, veloz, bate
a clara em neve
para os sonhos do menino,
seu sobrinho merece carinho.

Deitado, eu vejo os pingos
lá fora, um por um agora;
arremesso uma bola de meia
ao infinito daquela tarde,
vai e volta, vai e volta,
mas não voltará,
como o ontem
e o amanhã,
como o agora
e o depois.

E o agora
e o depois...

Nenhum comentário: