Lembro-me dos elogios,
alguns fracos, batidos,
todos de boa intenção;
claros na luz escura
exata à ilusão.
Toquei em sua pele,
palavras não leu,
dizia-se tímida, descrente,
talvez indisposta,
avessa à paixão.
- Não a culpo, sabes?
- Por quê?
- POR QUÊ?
Como digo: nada espero,
basta acontecer.
Vez ou outra anseio,
não escondo, sempre repito:
“A doce verdade
é simples viver”.
Nem tão sério,
um pouco triste,
faminto de sonhos,
caído de bruços
de olhos atentos,
exposto sempre.
- Venha aqui ouvir! Não me ignores!
Traga-me a vida,
dispenses a morte,
faça-me crer.
Venha e vá
mas não deixe
sozinhas, reclusas...
As dores do amor
de agora,
As luzes de outro
capaz outrora.
Talvez seja o tal, não é?
O último alento ao temor.
Vive-se só,
diz o contrário proposto.
Morre-se junto,
mostra o desejo oposto.
- Está bem.
Esqueça as graças, está bem?
Sim, foram todas sinceras,
mas cala-te agora,
não diga que não
só beije meu rosto,
deixe-me o coração.
22 de jan. de 2010
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