Cravadas nos dedos,
cobrindo feridas,
não escondem as chagas
da tua aflição.
As carnes corroídas sangram
por tantos problemas
marcados no peito
por causas pequenas.
Pela manhã confias
em tramas maiores;
à noite te deitas
sujeita a menores.
Falando do bem que quer
perdeste tua pouca graça;
te vejo esquecida, escorraçada,
de boca num banco de praça.
Do nada que restava
agora tudo se foi -
até o riso é frouxo,
aflito, rasgado.
Do mantra o lamento
calado, constante,
ressoa a agonia
por fiel namorado.
Pobre menina!
São os homens
a causa maior
de todo o teu mal.
Esperas demais
mas pouco ofereces
te perdes em preces
e esqueces o essencial.
Sua sina é ser puta
chamada piranha,
por mais que confundas
gozar com amor.
Unhas como essas, compreenda,
não escondem a loucura.
Sacie-se na dor dos outros, quem sabe,
ganharias mais.
Não escute meus conselhos, esteja certa,
são mudos e cegam-te o ser.
Chore mais uma vez,
minha querida,
àqueles que nego
reservo refúgio.
Não clame, não reze,
apenas aguarde,
por mais que ele tarde
o infinito o trará.
Chore mais uma vez,
minha querida,
por mais que ele tarde
um novo dia ainda virá.
8 de fev. de 2010
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Um comentário:
Muito bem. Adorei! Soh tive tempo de ler essa inteira mas ta beem legal :)
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