4 de jun. de 2010

Uma coisa leva à outra

Saía-se muito bem
no estudo de línguas
mortas.

Tinha opinião sobre moda,
estilo e outras coisas
essenciais.

Sonhava só, dançava só
frente ao espelho
opaco do seu quarto.

Seus pais depositavam fé, dinheiro
e no futuro alheio idealizavam
planos.

Já tinha lá seus 20 anos
quando deu o
primeiro beijo.

Encontrou aos 30 uma pessoa
aberta ao amor, não deu
certo.

Não tinha tempo para dar
afeto e outras coisas
fúteis.

Tinha já as línguas, a moda,
a vida a lhe perseguir
e a dança só,
e o sonhar só
já lhe serviam.

Hoje faria 50 e jaz em cova rasa
metido num belo fraque
ao lado do parque
pelo qual jamais
andou.

Espero que sua alma esteja em paz.

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