Saía-se muito bem
no estudo de línguas
mortas.
Tinha opinião sobre moda,
estilo e outras coisas
essenciais.
Sonhava só, dançava só
frente ao espelho
opaco do seu quarto.
Seus pais depositavam fé, dinheiro
e no futuro alheio idealizavam
planos.
Já tinha lá seus 20 anos
quando deu o
primeiro beijo.
Encontrou aos 30 uma pessoa
aberta ao amor, não deu
certo.
Não tinha tempo para dar
afeto e outras coisas
fúteis.
Tinha já as línguas, a moda,
a vida a lhe perseguir
e a dança só,
e o sonhar só
já lhe serviam.
Hoje faria 50 e jaz em cova rasa
metido num belo fraque
ao lado do parque
pelo qual jamais
andou.
Espero que sua alma esteja em paz.
4 de jun. de 2010
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