1 de set. de 2011

Vaias, cusparadas e o membro do Zulu

Foto: Porthus Junior

Tem gente que não sabe brincar. Nem torcer. Acho que a torcida tem todo o direito de vaiar quando o time joga mal ou, principalmente, faz corpo mole em campo ou quando bem quiser, vá lá. Sabemos bem como são os gringos. Aliás, é impressionante como se nota gente que vai ao Jaconi só pra cornetear. Não sabe o nome de um jogador sequer, vai "à paisana", xinga o dois, o sete, o dez, o juiz e até o gandula e o cara do lado que é gordo e ocupa mais de um assento, sendo que há vinte disponíveis do outro lado.

Pessoalmente, não acho legal vaiar o time. Me parece que o boleiro, bicho ruim, porém adorável, que é, vai ficar desmotivado e ao invés de querer responder à torcida com boas atuações - o que seria mais coerente - vai é mandar tudo à merda, pedir pra sair e ainda desferir uma banana pras arquibancadas. Mas há exemplos que desmentem minha tese, como é o caso do Zulu. O "contestado Zulu
" como o Elizeu Evangelista adora se referir. Levou vaia, teve apoio do treinador e de parte da torcida e agora ajuda o time com assistências, gols, desarmes e o caralho, embora não seja um jogador brilhante. Lembrando ao irracional e desavisado torcedor que estamos na série D.

Isso mesmo, até com o caralho segundo informação exclusiva obtida por um ilustre membro do Consulado do Juventude em Porto Alegre do qual me vanglorio vira e mexe por ter um parentesco longínquo. Mas parece que a relação do membro (do centroavante) com o grupo não tomou proporções sexuais, ainda. Serve apenas como símbolo de respeito ao clube - e
às vestes sagradas que o cobrem - a alguns e motivo de pilhéria a outros.

Porra, já a cusparada é um desrespeito sem tamanho, já demonstrei a minha indignação quanto a isso em conversas com amigos e discussões internas dos Papos da Capital. Inaceitável. Dentro da minha mesma “Teoria da Vaia” há um subcapítulo dedicado ao xingamento ao bandeira e aos demais adversários que se aproximem do alambrado. A pressão psicológica só é efetiva se bem exercida, com argúcia. Por exemplo, falar que ele usa calcinha, é corno, feio ou fede a peixe são argumentos válidos. Só exemplos de um universo vasto e pouco explorado. Quando o erro é de real gravidade, e causa revolta, cabe uma ameaça maior do tipo “te pego na saída, seu canalha!”. Daí pra mais, tudo bem. Opção de cada um. Quem vê eu nunca xinguei um puto desses de puto. Mas “morto de fome”, “nêgo de merda” e o que o valha, por favor... Reservem seus preconceitos étnico-sociais a rodas de amigos, familiares e pulhas sem respeito algum como você.

Voltando às cusparadas... Sou a favor até que
advirtam a torcida pelos alto-falantes no início dos próximos jogos, pedindo respeito ao torcedor. Seria constrangedor, é claro, mas já não é o suficiente? Ou mantenham as vidraças, pronto. Sugiro também que ao visualizar algum ato desses irresponsáveis, os verdadeiros torcedores façamos um levante imediato para expulsá-los do estádio. Aí cabe quebrar o rigor, mandá-los a puta que pariu abaixo de chute no rabo. Bando de cuzões! O Juventude é muito maior que meia dúzia de imbecis!

Enfim, essas são as minhas considerações. Desculpe a extensão do texto, papo de fé.

Sábado é nóis na liderança isolada. Independente das inevitáveis alterações por suspensão, dizem que o Zulu vai entrar com tudo. Parece que o goleiro deles até fugiu. Que venham os cianórticos.

29 de mar. de 2011

Foi-se o tempo

Acomete-me a lembrança
da varanda verde
e as samambaias.

O dia de chuva e sol,
a luz amarelada
pelas velhas telhas transparentes
e a lajota fria
de vermelho sangue,
sem dor.

O ambiente na memória é quente
frente todo àquele verde
e pálido amarelo passado
do inverno que nunca mais houve.

Houve outras estações,
novas paisagens, risos, prantos,
sentimentos tantos, recordações;
mas o dia do qual lembro já se foi,
mora no instante interrompido
pela hora a vir e vir.

Cantarola na cozinha
uma tia que não tive;
a saia longa sacoleja
no compasso das ancas
e a mão, veloz, bate
a clara em neve
para os sonhos do menino,
seu sobrinho merece carinho.

Deitado, eu vejo os pingos
lá fora, um por um agora;
arremesso uma bola de meia
ao infinito daquela tarde,
vai e volta, vai e volta,
mas não voltará,
como o ontem
e o amanhã,
como o agora
e o depois.

E o agora
e o depois...

10 de jun. de 2010

O fim da poesia

No mundo, hoje, não se vive de poesia.
Vive-se de criar aleivosias para vender
artigos tantos, todos os tipos de porcaria.
Vive-se de fato na busca por um espaço
no tão comentado mercado de trabalho.
Não depende das estruturas dos versos,
sejam simples, sem nexo ou complexos,
no mundo, hoje, não se vive de poesia.
A verdade do poeta virou peça barata,
não vale de troco, imagina sustento.
Logo ela que já foi tão nobre, veja,
hoje é simples perda de tempo.
A poesia, alguém já disse,
repito, é a voz da alma.
Mas um dia por si só
irá se acabar junto
com o mundo, só,
como os filmes
de Hollywood:
THE END.
Ou daqui
mesmo:
FIM.

4 de jun. de 2010

Uma coisa leva à outra

Saía-se muito bem
no estudo de línguas
mortas.

Tinha opinião sobre moda,
estilo e outras coisas
essenciais.

Sonhava só, dançava só
frente ao espelho
opaco do seu quarto.

Seus pais depositavam fé, dinheiro
e no futuro alheio idealizavam
planos.

Já tinha lá seus 20 anos
quando deu o
primeiro beijo.

Encontrou aos 30 uma pessoa
aberta ao amor, não deu
certo.

Não tinha tempo para dar
afeto e outras coisas
fúteis.

Tinha já as línguas, a moda,
a vida a lhe perseguir
e a dança só,
e o sonhar só
já lhe serviam.

Hoje faria 50 e jaz em cova rasa
metido num belo fraque
ao lado do parque
pelo qual jamais
andou.

Espero que sua alma esteja em paz.